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Ilê Asé Idí

Bentinho

Bentinho

Bentinho

Por ele mesmo

Êita lasqueira! Cê qué sabe quem é Bentinho, né? Então se ajeita aí, que a história é boa, cheia de riso, poeira e benção misturada!

Bentinho, pra quem não sabe, nasceu lá pras banda de Parati, no Rio de Janeiro — terra de mar, de pedra lisa, de riso mole e de fé comprida.

Num tempo em que o Brasil ainda tava com a alma enroscada nas corrente, mas eu já vim ao mundo com o ventre livre, livre igual passarinho de Deus. Não era escravo, não, mas também não era dono de muita coisa, não sinhô. Vivia debaixo das rédeas dos senhores da época, daqueles que mandavam mais que missa de domingo.

Vi com estes olhos que a terra há de comer (e já comeu!) o fim da escravidão, o povo soltando o grito preso na garganta, o vento mudando de cheiro. Aprendi cedo que a liberdade começa dentro — e depois é que se espalha pros pé, pras mão, pra vida toda.

Minha avó, com toda a sua humildade e sabedoria, me apresentou o mundo espiritual. Era mais sábia que livro grosso de estante velha. Conhecia orixás pelo cheiro do vento, lia o sagrado nas folhas, nas tarefa do dia a dia, entendia a voz do invisível como quem entende o choro de um filho. Foi ela que me ensinou a não tê medo do invisível — a conversá com ele, a ri com ele, a dançá com ele até um dia se torná parte dele.

Cresci alegre feito sabiá em dia de sol, debochado feito menino arteiro, descontraído igual rede balançando na varanda. Talvez por isso, Deus foi me abrindo as porteiras: conheci gente boa, fiz amizade em tudo quanto era canto, e arrumei uma meia dúzia de encrenca bonita também, que ninguém é de ferro.

Aí, depois que a alma largou o corpo (porque sim: morrê é só mudá de roupa), eu continuei do mesmo jeito: rindo, proseando, ajudando no que posso, puxando a orelha quando precisa, amando sem medida.

Hoje, ando por aí invisível, mas muito presente, fazendo parceria com um camarada que virou irmão de alma — este médium — que abre espaço para essa comunicação. O cabra me dá passagem, me dá carinho, me dá risada — e eu dô pra ele conselho, abraço e umas puxadas de orelha também, que ninguém vive só de tapinha nas costas.

O Daniel é a voz, eu sou o sopro. O Daniel é a pena, eu sou o vento. E junto, a gente continua espalhando essa fé que cheira a café quente, a terra molhada e a esperança sem fim.

Então, resumindo, que já falei demais: Sou Bentinho. Espírito caipira-carioca, filho da liberdade, neto da sabedoria, sobrinho da força, amigo do riso, e parceiro de toda alma que quiser caminhar mais leve nesse mundão de Deus.

Se tu topá andá comigo, só te digo uma coisa: Vai dá risada, vai pensá, vai chorá um bocadinho — mas, acima de tudo, vai lembrá que vivê é o maior milagre que existe. E que nós, alma e alma, já somos velhos conhecidos nesse infinito bonito. Não posso estar em corpo presente, mas estou em Luz em Alma.

Assinado com pó de estrela e cheiro de mato... Bentinho

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